quarta-feira, 9 de abril de 2014

Henry D. Thoreau

   


    Á minha perspectiva,  um dos homens o qual a capacidade de viver bem uma vida de longe mais me causa inveja. Simplesmente isto. Thoreau se dispôs numa experiência transcendental a uma vida por dois anos, dois meses e uns dias pelas margens do lago Walden, em Concord cidade no estado de Massachusetts. Construindo por ali num terreno que lhe emprestado havia sido pelo seu não menos admirável amigo Ralph Waldo Emerson, uma minimalista casa, com apenas um cômodo, uma lareira, uma cama, algumas cadeiras e uma pequena mesa. Sua existência por aquele tempo nas margens do belíssimo lago Walden, se transcorreu como descreve o próprio Thoreau, de maneira tranquila e serena. Presenciava a cada dia seu inicio e fielmente com uma rara devoção ao momento presente, também era testemunha do fim de cada hora que partia. Devoto ilustre da natureza e todos o seus movimentos, propagou por sua imagem em épocas vindouras a grandeza singela de uma vida mais próxima daquilo que um dia fomos e sempre seremos: Animais comuns. Os ondas hippies das décadas de 60 e 70 que se propagaram pelo mundo, principalmente pela América do Norte,  tinham entre seus grandes inspiradores a figura emblemática do rebelde de Concord. Em livros e textos como suas obras máximas: Walden, Desobediência Civil e Andar a Pé, centenas de seres humanos se encontraram daquilo que a época em que viveram lhes dizia ser impossível: Uma vida sem grandes artifícios. Gandhi ao ler a Desobediência Civil encontrou a forja para sua espada que veio junto aos tantos credos Hindus daquilo que haveria de ser popularizado pelo nome de Ahimsa, principio ético que rejeita a violência descabida como proposito de resolução. Tolstoi também havia encontrado nas coisas que o rustico ermitão um dia escreveu uma forma diversa de pensar o mundo.



    Walden, ou A Vida nos Bosques, um livro que narra a biografia de dois anos de uma homem que como poucos percebeu o Tempo em sua passagem arcana, tem sido no decorrer dos últimos anos da minha vida um baluarte sem par para toda a minha incapacidade de ser melhor sendo menor a cada instante. Perco constantemente como muitos outros dessa terra o fio de Ariadne que me levaria a um modo de vida menos compulsivo e contaminado pela constância abusiva da mania de grandeza em meio a sociedade moderna. Encarcerados por esse monstro, a economia estabelece seu funcionamento pela voraz via do incetivo a todo custo de obter aquilo que se é criado. Nos tornamos fúteis no convívio sem destino com a quimera de tantas vazias publicidades. O governo depende totalmente que sua população faça parte de toda propagação dos impulsos de comprar inutilmente coisas que em verdade não passam de serem filhas de uma época sem sentido. Não que outras épocas e idades da historia tenham tido mais clamor do que esta, a questão não é esta. A questão talvez não seja nenhuma. A questão talvez seja exatamente esta: darmos a nós mesmos a oportunidade de uma criação própria no que diz respeito a qualquer construção no intuito da questão. A Economia, esta ninfa moderna, verdadeiramente é uma deusa, tal qual Hera, porém maior, não depende de nenhum Zeus no que sirva a saber por onde vão seus passos. O governo é um meio, um servo, no fim nos tornamos lacaios endurecidos pelas próprias maneiras que criamos dia-a-dia para nesse mundo melhor caminhar. Thoreau como Buda, Jesus Cristo, Diógenes de Sínope, Gandhi, Spinoza, J.J. Rosseau, entre tantos outros dos mais antigos tempos aos mais modernos como é o caso do admirável Mujica, presidente do Uruguai, prova-nos que a cultura que se dissemina pela imagem das peripécias do materialismo mundano, é vã e cega. Em uma dentre as inúmeras passagens cósmicas de A Vida nos Bosques, Thoreau nos leva a refletir:

" ...No entanto vivemos mesquinhamente, como formigas, embora conte a fábula
que fomos transformados em homens muito tempo atrás; como pigmeus lutamos 
com grous;
                         é erro sobre erro, remendo sobre remendo; e nossa melhor virtude
tem como causa uma miséria supérflua e desnecessária. Nossa vida se perde no
detalhe. Um homem honesto dificilmente precisaria contar além dos dez dedos
da mão, ou, em casos extremos, ele pode acrescentar os dedos dos pés, e juntar
todo o resto numa coisa só. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! E digo:
tenham dois ou três afazeres, e não cem ou mil; em vez de uma milhão, contem meia
duzia, e tenham contas tão diminutas que possam ser registradas na ponta do polegar.
Em meio ao oceano encapelado da vida civilizada, são tantas as nuvens, as tormentas,
as areias movediças, os mil e um pontos a levar em consideração, que um homem, se
não quiser naufragar e ir ao fundo sem jamais atingir seu porto, tem de navegar
por calculo e, para consegui-lo, precisa realmente ser bom de calculo. Simplifiquem,
 simplifiquem. Em vez de três refeições por dia, se necessário façam apenas uma; em
vez de cem pratos, cinco; e reduzam as demais coisas na mesma proporção.
Por que teríamos que viver com tanta pressa e desperdício de Vida? "

  
A casa aonde Thoreau viveu, construída pelas suas próprias mãos e com a ajuda de amigos.



O interior do local, ilustrado com moveis que foram colocados nas mesmas posições que os originais.




Um desenho sugestivo de seus dias ali.



A estatua do pensador para sempre eternizado em frente a sua morada.



    Atrás no canto inferior esquerdo da foto, o local aonde era armazenada as lenhas para as estações mais frias. Ali descreve em Walden, que muitas vezes passava realmente horas a fio a assistir as formigas duelarem umas com as outras por sobre as madeiras. Quando não raro, pássaros e marmotas, além de esquilos vinham por ali o visitar.  



No inverno.



O túmulo de Thoreau com seus respectivos familiares.



O lago Walden, titulo de sua obra sem tamanho.



    A Mobelha, esta ave é sitada muitas vezes pelo poeta no decorrer de A Vida nos Bosques. Alimentava verdadeiro fascínio por este pássaro, sendo que por algumas vezes conta-nos que ficava a vagar pelo meio do lago, a espera de uma aproximação maior com uma ou duas Mobelhas que por ali pescavam. Descreve também em seu livro uma das características mais distinguíveis das Mobelhas, que são os seus chamados e "gemidos", quando se comunicam emitem um som que por vezes parece uma gargalhada, levando muitas pessoas a se assustarem com seus risos noturnos pelos arredores de uma mata. Curiosamente esta ave esta estampada nas moedas do dólar canadense.   







     
   

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