Não precisamos entendermos tudo isso. Ninguém nesta vida necessita de saber mais de alguma coisa do que de si mesmo. Quem nos diz isto não é nenhum oráculo de Olímpia ou de Delfos. Eis ai uma outra coisa de nossas facetas, um homem ou uma mulher, um ser, antes de se deixar guiar deve servir de bom guia pelo menos em duas ou três coisas que tanjam a sua própria experiência e juízo. Por mais admirável que me seja Dante ter aceito de bom esteio os caminhos que lhe apontaram Virgílio pelas veredas da grande comédia, não sei dizer se também eu toparia a empreitada tendo tanta certeza como um guia. O que nos garante que o caminho pelos três templos daquele destino apontado pelo vate foram em verdade os mais honestos a se seguirem, quiçá houvesse um atalho, ou uma aventura não maior, mas diferente, uma maneira a sua própria do destemido Florentino chegar até Beatriz. Mas o caso não é esse. Em verdade a vida deveria ser simples antes mesmo de prestarmos forças na tentativa conjurosa de por algum motivo tentarmos simplifica-la. Porque tudo é muito simples, no entanto TUDO por ser muito simples, leva a vigente maré da contemporaneidade a um vasto campo de irreconhecível lados de uma mesma simplicidade. A modernidade é um caro risco, sem opções de variedade. Insinuadora de sentimentos, jamais revela para a mão esquerda de quem é a direita que coage.
A Vida Simples se torna complexa porque seus símbolos á um mundo cubico, são á grande maioria da gente que vive aqui, particularmente insustentáveis. Nós confundimos muito das palavras e seus expansivos significados. Entre ser pobre e não ter coisa alguma, há demasiada distinção, forma, motivo, sentido, prazer e coisas varias. Simplicidade tem autonomia, o que torna cada um em seu invólucro distinto um do outro em suas próprias prosperidades.
As coisas não passam daqui.
A historia de tua vida jamais será maior do que a da tua espécie. A natureza não me disse exatamente para o que fui feito e nem qual o motivo de ter me colocado aqui. Bem, a natureza não fala, ela apenas se repete, entretanto, há pessoas que realmente a vida sobrecarregam como Sísifo, aquele da pedra, do trabalho sem fim e ausente de significados, a raposa mitológica que negaceava os deuses. Do meu ver, a maioria de nós nos tornamos pessoas sísifinianas, seres vagos, com sonhos e metas que não são nossos, mas que sim no decorrer de nosso desenvolvimento foram nos legado por uma tradição de família, um diploma adquirido, algumas centenas de tijolos e argamassa amontoados. As coisas que penso sobre o que pensam os outros quando em algum instante á mim se comunicam, não passam de ser as coisas que penso de um governo qualquer, da televisão, deste grande rebanho que até as faculdades trafegam tendo todas as certezas de seus claros destinos. Realmente somos muito baixos e nos tornamos assim, assim como fará dos que ainda não nasceram a deusa Época de seus destinos. A Simplicidade, riqueza das riquezas, não nos vem tranquilamente como deveria, porque fazer de tudo muito mais difícil no decorrer dos séculos a nós se tornou muito mais fácil.



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